PROF. DR. MARCELLO FRANCO. A FORÇA DO LEGADO. 6º PRESIDENTE DA APESP (1987-1988).

Biografia do Prof. Dr. Marcello Franco (1940-2017): A Força do Legado

Lançada em homenagem-póstuma a passagem do aniversário de 80 anos do nosso estimado mestre e amigo

 

Editada pelo Dr. Sydney C. Leão

  • Professor de Patologia e Coordenador do Colegiado de Medicina da Universidade Federal do Vale do São Francisco- Paulo Afonso/BA
  • Professor de Patologia e Medicina Legal do Curso de Medicina da Universidade Tiradentes- Aracaju/SE
  • 18º. Presidente da APESP- Gestão ´´A Força do Legado`` (2019-2020)
  • Último discípulo do Prof. Marcello Franco

 

´´Nessum Dorma, Nessum Dorma``

 

Marcello Fabiano de Franco nasceu em São Paulo-SP em 06 de junho de 1940. Descendente de italianos, era filho de Paulo & Tilde de Franco. Tinha um irmão gêmeo chamado Fábio; além de outros dois irmãos, Paulo (Paulinho) e Maria (D. Mariazinha).

Fez os seus primeiros estudos no renomado colégio Dante Alighieri em São Paulo/SP; logrando êxito no vestibular para medicina da FMUSP para o ano de 1959; formando-se médico no final do ano de 1964. Logo após a formatura, em maio de 1965, foi contratado como médico instrutor do departamento de Patologia da FMUSP.2 Ficou naquele departamento até novembro de 1967, transferindo-se, com a mesma função para a recém fundada Faculdade de Ciências Médicas e Biológicas de Botucatu (atualmente Faculdade de Medicina de Botucatu-FMB/UNESP). Evoluiu para professor assistente, em 1971 e para professor doutor-assistente em 1972; obtendo a livre-docência em 1976 e finalmente chegando ao nível de professor titular (em regime de RDIDP) em abril de 1984.

O doutorado do Prof. Marcello foi defendido em 1972, no Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina de Botucatu, com orientação do amigo e Professor Thales de Brito. Fez ainda quatro pós-doutorados- dois deles, na Universidade do Texas (nos EUA), nos anos de 1985 e 1992; sendo os outros dois pós-doutorados feitos, respectivamente, na Inglaterra (Kenedy Institute of Rheumatology- entre 1973 e 1975) e no Japão (Research Center for Pathogenic Fungi and Microbial Toxicoses- 1988).

Após a sua aposentadoria no Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina de Botucatu em 1996 (na condição de professor titular e emérito da UNESP); prestou concurso para professor titular do Departamento de Patologia (DAP) da Escola Paulista de Medicina (EPM) também em 1996, logrando êxito naquele certame. Com isso, tornou-se professor titular da Escola Paulista de Medicina da UNIFESP até sua aposentadoria naquela Universidade em 2010.

Mesmo após a segunda aposentadoria, manteve-se ativo na EPM, coordenando o serviço de nefropatologia daquela Universidade até a metade do ano de 2015 (como professor titular aposentado-afiliado), ano em que se retirou em definitivo da prática como professor e patologista.

Em termos associativos, foi o sexto presidente da Associação dos Patologistas do Estado de São Paulo (APESP), entre os anos de 1987 e 1988; e foi o 21º.

Presidente da Sociedade Brasileira de Patologia- SBP (em dois mandatos, entre os anos de 1993-1997).3,4 Foi ainda vice-presidente para a América do Sul da International Academy of Pathology (IAP) entre os anos de 2012 a 2014 e membro titular (imortal) da Academia Paulista de Medicina, desde o ano de 2012 até o seu falecimento.1 Presidiu, ainda, o XXVIII Congresso da International Academy of Pathology (IAP) em 2010, único sediado em solo brasileiro, na cidade de São Paulo-SP.

O Prof. Marcello foi um patologista geral brilhante e um nefropatologista excepcional (certamente um dos melhores especialistas em patologia renal da história). Teve intensa e efervescente produção cientifica na seara da anatomia-patológica durante mais de 50 anos ininterruptos, com a publicação (segundo o seu currículo Lattes) de 362 artigos em periódicos científicos, 25 capítulos de livros, 460 resumos em anais de congressos e 473 trabalhos apresentados em congressos científicos; tendo participando, ainda de 282 congressos, simpósios, encontros, jornadas e cursos.

Recebeu 22 prêmios e títulos em sua vitoriosíssima carreira, com destaque para o Gold Medal da International Academy of Pathology (IAP) em 2012 (cuja moldura ele expunha em sua sala, com orgulho) e para a Placa de reconhecimento na Sede da SBP, pelo trabalho incansável em prol da patologia brasileira, em 2011.

Editou, juntamente com os Doutores Carlos E. Bacchi (5 e 6ª. edições), Thalles de Brito (5 e 6ª. edições), Mario Rubens Montenegro (i.m.) e Paulo Cardoso de Almeida (5ª. e 6ª. edições), as seis primeiras edições do tratado Patologia: processos gerais, utilizado em diversos cursos da área da saúde do nosso país como livro-texto para as disciplinas de patologia geral e processos patológicos gerais.

Editou ainda, juntamente com os Doutores Carlos Renato Almeida Melo (na 4ª. edição), Carlos E. Bacchi, Ricardo Artigiani Neto (na 4ª. edição) e Paulo Cardoso de Almeida (até a 3ª. edição), as quatro primeiras edições do Manual de Padronização de Laudos Histopatológicos da Sociedade Brasileira de Patologia, uma verdadeira bússola para os patologistas dos quatro cantos do nosso país.

Da vida pessoal, Prof. Marcello nunca se casou; e não teve filhos. Sem sombra de dúvida foi casado durante 53 anos com a nossa nobre especialidade; tendo como filhos-na-patologia, numerosos discípulos. Para não cometer injustiças, destaco dois nomes - um deles, vinculado historicamente a FMB/UNESP e o outro, diretamente vinculado, até a atualidade, à EPM/UNIFESP: São respectivamente o Prof. luso-brasileiro Fernando Schmitt (patologista e citopatologista mamário de renome mundial, atualmente na Universidade do Porto, em Portugal) - que foi residente e posteriormente colega de Departamento do Prof. Marcello em Botucatu no final dos anos 80 e começo dos anos 90;6 e o Prof. Ricardo Artigiani Neto (renomado patologista gastrointestinal, chefe do Departamento de Patologia da EPM/UNIFESP e exsecretário geral da Sociedade Brasileira de Patologia)- que foi amigo, colaborador e colega de Departamento (na EPM) do Prof. Marcello durante quase duas décadas.

Era carinhosamente chamado pelos colaboradores do Departamento de Patologia da EPM/UNIFESP como o ´´bom velhinho``. Apesar da origem italiana, era corinthiano fanático; tendo vibrado intensamente com as conquistas do Sport Club Corinthians Paulista nos seus últimos anos de vida (como a Libertadores e o Mundial de Clubes FIFA em 2012). Também era grande admirador das óperas (em especial, a ária Nessum Dorma); hábito compartilhado com o seu estimado amigo, o super-renomado patologista ítaloargentino naturalizado americano Dr. Juan Rosai.

Faleceu em 24 de agosto de 2017, após longa e extenuante batalha pela sua saúde. Diversas homenagens a ele durante a vida e post-mortem foram prestadas a ele, tais como o nome do principal anfiteatro do Departamento de Patologia da FMB/Unesp (carinhosamente conhecido como ´´Marcellão``); das salas de diagnóstico e checagem de casos no laboratório Verittas (Dr. Pablo Furtado, em São Luís/MA) e no laboratório Cedia do Dr. Raimundo Maia, no Crato/CE; e no futuro mini-museu de anatomia-patológica do Colegiado de Medicina da Univasf, em Paulo Afonso/BA, humildemente capitaneado por esse que vos fala (S.C.L.).

Sem esquecer do prêmio APESP Prof. Marcello Franco, que será outorgado ao melhor trabalho do estado de São Paulo no 33º Congresso Brasileiro de Patologia, que será sediado em Foz do Iguaçu/PR, ainda sem data definida, devido a terrível pandemia que nos assola.

Sem sombra de dúvidas, o brilhantismo e o cavalheirismo do Prof. Marcello Franco (um verdadeiro gentleman) continuam vivos na atuação de todos os seus estimados discípulos. No meu caso, sinto falta da convivência diária com o Prof. Marcello em sua sala nas instalações provisórias do Departamento de Patologia da EPM (no terceiro andar do edifício Prof. Octávio de Carvalho), das visitas aos sábados à tarde em seu último apartamento, na avenida Borges Lagoa (próximo ao Hospital do Rim), da extrema urgência para liberação dos casos de nefropatologia e do apreço pela liberação dos laudos definitivos de necrópsia de maneira absolutamente perfeita e impecável.

Sem esquecer, é claro, da preparação dos casos para a próxima reunião da APESP - jamais imaginaria àquela época que um dia eu seria presidente dessa magnífica associação e professor universitário federal, como ele foi...

]Que a Força do Legado do Prof. Marcello Franco continue a brilhar, dentro da patologia paulista e brasileira, por inúmeros anos...


Dr. Sydney Correia Leão
18º Presidente da APESP- Gestão ´´A Força do Legado``

06/06/2020

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